ARTIGO

ESTABELEÇA O LIMITE ANTES QUE A NATUREZA O FAÇA

Autor(a):
Laísa Weber Prust

Publicação:
Uma de minhas leituras de início de ano foi “Qual é a tua obra?” do Mário Sérgio Cortella. O filósofo afirma que quando nosso modelo de vida leva a um esgotamento, é fundamental questionar se vale a pena continuar no mesmo caminho. Sugiro você incluir este tema entre suas reflexões no ano de 2013. O autor ressalta que a virtualização do local de trabalho, a possibilidade de trabalhar em qualquer lugar, não nos trouxe qualidade de vida. Poder trabalhar em qualquer lugar hoje significa que se pode trabalhar o tempo todo. Vê-se nesse fato um desequilíbrio que leva à exaustão, a infelicidade e ao futuro arrependimento. Uma análise superficial nos leva a responsabilizar o momento altamente competitivo em que vivemos. Os executivos estão a todo o tempo disponíveis para o trabalho, buscando se tornar mais produtivos, informados, eficientes, velozes e com múltiplas competências. Cortella questiona se tal estado de infelicidade não é causado também pelo padrão de alto consumo que as pessoas buscam para si e seus familiares, o qual os leva a se tornar reféns de um emprego que provê altos ganhos, mas também altos níveis de tensão, angústia e amargura. O autor continua sua reflexão afirmando que essa lógica do Ocidente na qual a vida nas grandes metrópoles pressupõe trabalho acelerado e competitividade obsessiva, está longe de mudar. Assim, se os executivos desejam realmente alterações em seu estilo de vida precisam reorientar suas necessidades de consumo. Até que nível de esgotamento chegará para prover a ele e sua família com bens que acredita necessitar para manter seu padrão e seu status na sociedade? O limite deve ser estabelecido pelo indivíduo antes que a natureza o faça através da perda de sua saúde, tranquilidade e gosto pela vida. Felizmente já há sinais de um movimento contrário ao perfil workaholic. André Caldeira, em sua coluna na Exame.com “Muito trabalho, pouco stress”, aborda temas relevantes para pessoas que trabalham muito mas que buscam o equilíbrio que permite também cuidar da saúde e das relações com as pessoas. Como ex-executivo que percebeu a tempo onde o stress o levaria e conseguiu mudar de rumo, André fala de situações e sentimentos comuns às pessoas que ocupam cargos de alta liderança e por causa da grande responsabilidade e complexidade de suas atividades, vivem a angústia de ver suas vidas serem consumidas pelo trabalho excessivo sem nenhuma possibilidade de sair dessa situação sem grandes renúncias para as quais não estão preparados para enfrentar. Há também instituições sérias cujas ações estão focadas no manejo e prevenção do estresse como a ISMA – International Stress Management Association, que tem feito um bom trabalho de conscientização sobre os danos do estilo de vida estressante. Porém, dar limite aos excessos é uma questão pessoal. Se alguma vez em 2013 seus pensamentos o levarem a uma vida muito diferente da que você vive hoje ou a afirmações saudosistas sobre seu passado, é hora de um balanço. Quanto de sua vida além do trabalho você está disposto a perder?