ARTIGO

CURIOSIDADES SOBRE PSICOLOGIA AMBIENTAL

Autor(a):
Isabella Bello Secco

Publicação:

O que é Psicologia Ambiental?

A Psicologia Ambiental pode ser definida como o estudo das relações entre as pessoas e o ambiente, sendo que nestas relações ambos se influenciam, ou seja, as pessoas podem mudar o ambiente e, por sua vez, os comportamentos e experiências destas são modificados e influenciados constantemente pelo ambiente.

Seu objetivo básico é a pesquisa e intervenções junto à construção de ambientes mais humanos e o melhor relacionamento com os diferentes ambientes com os quais todos interagimos diariamente, bem como com os recursos por eles oferecidos.

É comum que as pessoas relacionem “Psicologia Ambiental”, e mesmo a palavra “meio ambiente”, somente com recursos naturais (florestas, água, solo, ar, natureza, etc), ainda mais que atualmente a questão está bastante presente nos meios de comunicação e tem sido alvo de muitas análises que, inquestionavelmente, concluem a urgência de uma mudança de comportamento de toda a sociedade; porém, se pararmos para pensar, estamos todo o tempo inseridos em ambientes sendo eles os mais diferentes possíveis (trabalho, casa, cidade, escola, rua, trânsito, estabelecimentos públicos, etc) e ficar atento a forma como nos relacionamos com estes é, sem dúvida, algo primordial para compreendermos alguns de nossos comportamentos diante dos mesmos.

Quando surgiu a Psicologia Ambiental?

Apesar de ainda pouco conhecida, principalmente no Brasil, alguns autores afirmam que surgiu em meados do século 19 nos EUA, porém começou a se firmar como área de estudo a partir da década de 70, inclusive no Brasil.

Quais são as possibilidades de atuação na área de psicologia ambiental?

O que vem se percebendo são intervenções em Catástrofes Ambientais (em países que passam ou já passaram por terremotos, enchentes, furacões…), pesquisas e intervenções no Trânsito, na Arquitetura e Urbanismo, Educação Ambiental, Consultorias e outras que ainda estão se construindo sendo que uma característica comum em todas elas é a interdisciplinaridade. Se retomarmos o conceito, podemos perceber que ela faz interface com uma série de outras áreas de conhecimento como a Arquitetura e Urbanismo, Psicologia do Trânsito, Pedagogia, Engenharias, Biologia, Agronomia, Antropologia, Ciências Sociais e, inclusive, com a Psicologia do Trabalho.

Considerando mais especificamente a área da segurança, veremos que a Psicologia Ambiental apresenta uma série de conceitos que podem auxiliar na construção de projetos de intervenção mais consistentes e com resultados ainda mais efetivos, pois estarão sendo consideradas outras variáveis presentes no contexto de trabalho como, por exemplo, o processo de apropriação do espaço, percepção ambiental e a análise de comportamentos pró-ambientais. E ainda, não podemos deixar de lembrar que os riscos ambientais envolvem impactos à saúde do trabalhador, sendo esta uma questão da segurança também. Com certeza o meio ambiente tem muito que aprender com a segurança, e vice-versa; considerando que a mudança fundamental almejada é a mesma: desenvolver nas pessoas habilidades e competências para que possam se comportar de forma segura (considerando inclusive aspectos ambientais) como fruto de um processo de ampliação de consciência e não simples obediência temendo punições.

E a Educação Ambiental pode contribuir com o que?

Podemos dizer que a educação se traduz como uma das maneiras de melhorar e desenvolver os comportamentos pró-ambientais (de cuidado com o meio ambiente) sobre o planeta Terra. Se for considerada a crise ambiental que vivemos, evidencia-se a necessidade de uma educação que amplie as teorias acerca do mundo, como, por exemplo, deve-se ultrapassar a idéia de não finitude dos recursos naturais, moderando os padrões de consumo dos mesmos, diminuindo as fontes de poluição e desenvolvendo novas formas de produção menos agressivas e nocivas ao ambiente.

A educação ambiental aponta para propostas pedagógicas centradas na conscientização, na mudança de comportamento, no desenvolvimento de competências, na capacidade de avaliação e na participação dos educandos de todas as idades e inseridos nos mais diversos contextos. A relação entre meio ambiente e educação assume um papel cada vez mais desafiador, demandando novos saberes para apreender processos sociais cada vez mais complexos e riscos ambientais cada vez mais intensos. Assim, a reflexão sobre as práticas sociais, em um contexto marcado pela degradação permanente do meio ambiente e do seu ecossistema, envolve uma necessária articulação com a produção de sentidos sobre a educação ambiental.

Dentro das organizações, quais são as possibilidades de trabalho?

No contexto organizacional não é diferente, sendo ele também reflexo de toda esta cultura e valores da sociedade. Os Sistemas de Gestão Ambiental hoje são uma variável importante no planejamento estratégico considerando o contexto globalizado que exige cada vez mais que sejam revistas as formas de manejo com o meio ambiente. Entre os fatores que determinam tais exigências, pode-se incluir os movimentos ecológicos, as mudanças no perfil dos consumidores, que estão cada vez mais preocupados com a origem dos produtos que adquirem, além das pressões do regime regulatório internacional e da necessidade urgente de que a sociedade se desenvolva de uma forma sustentável, ou seja, se desenvolver de forma a ser capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender as necessidades das futuras gerações.

É importante que as organizações reconheçam a gestão do meio ambiente também como uma prioridade, como fator determinante do desenvolvimento sustentável e ainda estabeleçam políticas, programas e procedimentos para conduzir as atividades de modo ambientalmente seguro. Com isso as oportunidades no mercado em rápido crescimento serão maiores, além de haver a diminuição do risco de responsabilização por danos ambientais, redução de custos, melhoria da imagem da empresa, maiores chances de consolidação no mercado, desenvolvimento de dimensões éticas e morais no contexto organizacional e, à sociedade, uma expectativa de vida mais saudável e longeva.

GÜINTER, Hartmut; PINHEIRO, José de Queiroz. Métodos de Pesquisa nos Estudos Pessoa-Ambiente. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2008.

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LEFF, Enrique. Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade e poder. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.

MACÊDO, Kátia Barbosa; OLIVEIRA, Alberto. A gestão ambiental nas organizações como nova variável estratégica. RPOT,v.5,n.1, jan- jun /2005, p.129-150.