ARTIGO

HABILIDADES E COMPETÊNCIAS DO CONSULTOR INTERNO PARA A SEGURANÇA

Autor(a):
Anderson Canfild

Publicação:

Para todas as áreas das organizações de hoje, falar em qualificação e desenvolvimento das habilidades e competências não é novidade. Para nós então, especialistas e colaboradores da área de Segurança menos ainda. Fundamentalmente identificada como responsável pela segurança das pessoas, a área de segurança deve ter hoje, uma atuação muito mais estratégica na organização. É a partir dela que devemos ter bem claro o potencial dos funcionários em atuar e compartilhar com a segurança, tanto como clientes externos à organização como clientes internos, sendo este o foco principal da consultoria interna.

Como papel da área de segurança cabe a preparação dos colaboradores e principalmente a liderança, para esta nova realidade, capacitando-os e potencializando-os no pensar criativo, buscando meios de estimular cada vez mais esses colaboradores a se responsabilizar pela sua segurança e de seus colegas. Tais pessoas necessitam estar comprometidas e envolvidas com o negócio da organização, ser autônomas, formar times de trabalho, ter visão do futuro organizacional, estar em contínuo aperfeiçoamento e abertas para um novo pensar, novas idéias.

A consultoria interna de Segurança é um processo que exige que cada profissional da área de segurança dentro de uma estrutura organizacional atue de forma multidisciplinar, funcionando como elo de ligação entre o cliente interno e a direção de Segurança. Dentro desse processo, o consultor é um facilitador que realiza diagnósticos, propõe soluções, desenvolve projetos, oferece sugestões e críticas ao processo.

Para estar apto a dar respostas às exigências que lhe são feitas, o consultor interno de Segurança deve ter as seguintes competências;

– Estar comprometido com resultados, pois sua atuação expressará realmente o sentido da consultoria interna.

– Ser um agente de mudanças. Ele assume a responsabilidade de assessorar o cliente interno nesse processo, não tendo, contudo, o controle sobre a decisão propriamente dita.

– Conhecer a sua área de atuação. A atualização constante, leituras e trocas de informação com outras empresas devem fazer parte da rotina do consultor interno;

– Agregar valor. Ao fazê-lo, o consultor interno estará apto a diferenciar-se dos restantes e a conquistar a credibilidade de todos;

– Facilidade de diálogo e de relacionamento. A empatia e reconhecimento ao direito do outro expor as suas opiniões abrem portas e permitem a assertividade;

– Estabelecer uma relação de confiança. O consultor deve ser uma pessoa com quem se pode partilhar informações e dúvidas. A relação deve ser transparente;

– Ser negociador. Deve ser um negociador por excelência, pois estará a negociar quase o tempo inteiro. Trata-se de um processo de procura de aceitação de idéias, propósitos e interesses pelos resultados;

– Colocar ênfase nas pessoas. É essencial acreditar que o grande foco é o ser humano, sua saúde, bem estar e também assegurar a participação intensa das pessoas no processo, acreditando no valor das suas contribuições e abrindo espaço para o seu desenvolvimento profissional e pessoal;

– Ter um comportamento ético. O consultor tem acesso a informações confidenciais e a dados sensíveis, necessitando, portanto, de um comportamento ético impecável;

– Ser inovador. O consultor, enquanto antecipador de tendências, deve ter abertura para aceitar novas idéias e incentivar o processo de criação. Inovar mais rapidamente que os concorrentes (internos ou externos), oferecendo idéias únicas e com padrões diferenciados;

– Disposição para assumir riscos. Deve saber gerir o possível fracasso de um projeto, encarar os erros como fonte de aprendizagem e aprender a lidar com a frustração;

– Maturidade e equilíbrio. À medida que o consultor interno adquire maturidade, a sua contribuição deve, gradualmente, conquistar maior espaço. Só a convivência com a incerteza e com os riscos fará com que aprimore o exercício do seu trabalho;

– Ter pensamento estratégico. Raciocínio e lógica estratégicos são a base para o pensamento estratégico. Este tipo de raciocínio pressupõe o sexto sentido por parte do consultor e isso só se conquista com o tempo, com o treino e muita perseverança;

– Compartilhar a responsabilidade. Deve esclarecer que o projeto é da responsabilidade do conjunto das pessoas envolvidas;

– Perceber e saber lidar com sentimentos. Deve ler nas entrelinhas, isto é, ser capaz de observar os sentimentos e as reações das pessoas envolvidas;

– Propor ações que vão à raiz do problema. Deve fazer uma leitura que vá além do que é manifesto. Assim, estará a propiciar capacidade de análise ao cliente interno, fazendo com que ele pense da mesma forma em problemas semelhantes no futuro;

– Saber lidar com resistências. Deve tentar minimizar as reações defensivas, as rejeições e os receios.

Este profissional deverá agir como fornecedor interno, desenvolvendo melhorias nos serviços oferecidos, bem como se adequando às necessidades de seu cliente interno, identificando problemas e propondo soluções criativas na busca da promoção da saúde e qualidade de vida das pessoas.

Portanto, conhecer a empresa, seu negócio, objetivos, competências críticas e resultados esperados, será de fundamental importância para a inclusão do consultor interno e será cada vez mais importante para a sua prática diária.