ARTIGO

QUANDO SE CONFUNDE SEGURANÇA COMPORTAMENTAL COM SEGURANÇA PESSOAL
Autor(a):
Odilon Cunha Junior

Publicação:

Da preocupação de não ter acidentes com pessoas a ter uma cultura madura em Saúde, Segurança e Meio Ambiente no Trabalho.

O objetivo deste artigo não é minimizar os acidentes que lesam pessoas no trabalho, mas sim discutir oportunidades que a gestão comportamental pode agregar no sistema de gestão tradicional de Saúde, Segurança e Meio Ambiente no Trabalho (SSMA).
Desde 2002, temos percebido uma preocupação massiva com os acidentes de trabalho com afastamento. Hoje, já identificamos empresas atentas às chamadas “ocorrências” com alto potencial de gravidade. Ou seja, as ocorrências que por sorte não se tornam fatalidades. Sem dúvida, uma significativa evolução. A Segurança Pessoal é esta legitima preocupação com danos as pessoas durante a atividade laboral.
A Segurança Comportamental, por sua vez, extrapola o conceito de diminuir os acidentes pessoais. Seu objetivo é identificar os ativadores dos comportamentos de riscos, não só do individuo, como da equipe e da própria organização. Um exemplo: uma empresa agroindustrial que solicita oficinas de percepção e gerenciamento de riscos, pois tem um significativo número de acidentes durante o processo de colheita. Seu sistema de remuneração é baseado no “quilo colhido”. Repare que o próprio sistema de remuneração é um dos ativadores dos comportamentos de risco. Outro exemplo seriam os projetos de investimento de capital ou de atividades correntes que preveem bônus em entregas antecipadas da obra. Estes bônus, se comparados com os ônus contratuais por eventuais acidentes, normalmente se sobressaem. Também as comemorações de recordes de produção sem olhar o COMO a meta foi superada, onde não são levadas em conta questões como: disponibilidade de equipamentos, manutenções preventivas ou de rotina, as próprias quebras de procedimentos de operação e manutenção e logicamente ocorrências com pessoas ou danos ambientais. Além disso, processos de recursos humanos como seleção, carreira e sucessão que priorizam questões técnicas e não essenciais, como os valores organizacionais. Da mesma forma acontece com os processos de suprimentos, comerciais… Note que a base está no sistema de gestão e por isso, logicamente, as lideranças podem interferir de forma potencial no comportamento de cada indivíduo. As lideranças, em sua maioria, agem de acordo com o que a empresa reconhece como práticas padrões e estas, por vezes, podem ser chamadas do verdadeiro sistema de gestão das companhias.
Outro enorme desafio é integrar segurança comportamental com segurança de processo. Hoje elas são compreendidas como práticas distintas e, por isso, são gerenciadas de forma separada. Deveriam ser integradas, pois não há como pensar em comportamentos sem pensar nos processos e vice versa. Somente se houver disciplina operacional, os processos robustos farão sentido. Se a visão for sistêmica e, isso quer dizer integradas, o alvo será a Continuidade Operacional. Quando uma organização consegue perceber esta questão, o seu sistema de gestão não terá mais como objetivo zerar acidentes e sim a Confiabilidade Operacional. Como consequência: experimentará uma taxa de frequência sustentável e de benchmark.